Resiliência: pensar a realidade em tempos de mudanças

Por Wilson Marques Dias 19 SET 2020 - 09h04min
Foto: Divulgação

Heráclito de Éfeso (540 a.C.), um dos filósofos pré-socráticos (aqueles que vieram antes de Sócrates), percebeu que na vida, na realidade, na natureza, em tudo que existe, há um permanente fluxo transformador. Um de seus fragmentos mais conhecidos é aquele que diz o seguinte: “um homem nunca se banha duas vezes em um mesmo rio, pois na segunda vez nem ele é o mesmo homem, nem o rio é o mesmo rio”. Sua afirmação pressupõe uma mudança radical, permanente e constante. No mesmo rio entramos e não entramos, somos e não somos, tudo está em constante transformação, tanto o ser humano quanto a natureza. Nada é hoje, igual ao que era ontem, e o que é hoje não será a mesma coisa amanhã. Tudo muda. Portanto, assim como defende Heráclito, nada é permanente, exceto a mudança. Estamos vivendo hoje em tempos de mudanças significativas, nada será como antes.

            Assim como o mundo, a natureza, as pessoas também passam por mudanças contínuas, embora nem sempre as percebam. Tais mudanças não são apenas físicas. Por exemplo, quando nascem, os indivíduos dependem totalmente de outras pessoas. A autonomia é conquistada ao longo do tempo, a partir do desenvolvimento biológico aliado às experiências vivenciadas. Logo, começam a comunicar as necessidades e os desejos, a andar, a escolher o que quer comer, o que vestir, para onde ir, com quem ficar, o que fazer e o que não fazer. Para o filósofo alemão Immanuel Kant (1724-1804), a autonomia está diretamente ligada a uma capacidade própria do ser humano, a de autodeterminação, ou seja, a capacidade de pensar e agir por si mesmo, ser livre e dotado de Razão. Kant considera que, independentemente da idade, o ser humano está na “menoridade” quando não pensa e não age por si mesmo. A saída dessa “menoridade” só é possível por meio de esclarecimento, um contínuo progresso que ocorre a partir da razão. Embora o indivíduo possa permanecer na “menoridade” por toda a vida, achando mais cômodo submeter-se à determinação dos outros, pode também, a qualquer momento, ousar saber, buscar o conhecimento por meio da educação e assim obter a “maioridade”, tornando-se autônomo.

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            É preciso pensar os rumos da própria vida, pensar o tempo e a autonomia, conviver com as mudanças que acontecem no decorrer do tempo. Você já observou que, cotidianamente, as impressões acerca do tempo mudam? Quando as pessoas se divertem com amigos, por exemplo, elas têm a sensação de que o tempo passa mais rápido. Por outro lado, quando estão em uma longa fila, o tempo parece passar devagar. Independentemente da percepção, o ser humano existe no tempo e no espaço. Vive-se o presente, no “agora”, como uma ponte que liga o passado ao futuro. A vida é constante movimento. Nada é permanente, a não ser a mudança. Quando a realidade é observada de maneira metódica e sistemática, será constatado que tudo está em processo contínuo de transformações, ora pequenas e sutis, quase imperceptíveis, ora grande e repentinas.

            Entretanto, não há ser humano que domine o futuro. Essa pandemia provocada pela Covid-19 (o novo coronavírus) possibilitou grandes e significativas transformações, de forma repentina, tivemos que nos readaptar e nos reinventar. Nada será como antes. É a dinâmica da vida, que nos insere no horizonte da responsabilidade e da autonomia, e nos faz atingir a “maioridade”. A única atitude para esse momento é a ação otimista estratégica (planejada), é a ação positiva que fará a diferença neste período de pandemia. O grande aprendizado que podemos absorver do momento presente é o paradoxo da Resiliência, voltar ao novo normal, não retomar ao que era velho, mas se pôr a caminho com a bagagem que adquirimos. Vamos viver a vida!

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