Chico Castro

E AGORA JOSÉ?

Por Chico Castro 18 OUT 2018 - 09h23min

Vamos para o segundo turno das eleições 2018, para Presidência da República e também no Mato Grosso do Sul, e agora José? Como escreveu Carlos Drummond de Andrade. E eu me arriscando a escrever algo, sujeito a levar pancada de todos os lados, pois é assim que andam as coisas. Eu não sei passaram pela mesma situação que eu, mas abandonei alguns grupos do Whatsapp, me calei de outros, e me limito a transmitir algumas mensagens para poucos amigos, que penso, ainda os manterei após este processo eleitoral. Inclusive foi pelo aplicativo que recebi uma imagem, que achei sensacional, parafraseando a música Pais e Filhos, de Dado Villa Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá, “é preciso amar, como se não houvesse eleição”.

A polarização que tivemos em 2014 está parecendo luta do WWE, perto da de Vale Tudo (anterior ao MMA, e com o mínimo de regras), na eleição deste ano. O clima pesou bastante no primeiro turno, e com menos de uma semana de segundo turno, já mostrou como serão os próximos dias, até 28 de outubro. Um acusando o outro e mais uma vez, propostas ficam de lado ou são genéricas.

O que gostaria de ver e ouvir é o seguinte: pretendo fazer isso, até tal período, com tais recursos, que virão de tal local, pois já me cansei de tanta conversa fiada. Como nenhum dos candidatos apresenta isso, consultei seus programas de governo registrados no TSE*, que também são meio genéricos, porém é o que temos de base, mas até isso não dá pra confiar, pois estão mudando suas propostas de acordo com a conveniência eleitoral, em busca de mais votos para garantir a chegada ao poder.

Me fez lembrar da “richa” entre os filósofos socráticos e os sofistas, que existiu na Grécia antiga, principalmente na Ágora (que era o espaço democrático das decisões sobre os mais variados aspectos da vida da cidade), pois, de maneira bem simplificada,  os socráticos entendiam que deveríamos buscar a “verdade” das coisas, já os sofistas tinham a preocupação com defender seus pontos de vistas e, principalmente, convencer os outros, ganhando assim os debates sobre os assuntos em pauta.

Outra diferença entre eles é que Sócrates ensinava sem cobrar por isso, já os sofistas eram profissionais no que faziam, e eram “professores” que orientavam seus alunos como poderiam, através da retórica e oratória, se tornarem vencedores nas discussões democráticas na Ágora, o que, de certa forma, lhes daria poder naquela sociedade. Outra coisa que os tornavam distintos era que os sofistas sabiam de “tudo”, eram senhores de todos os assuntos, sem profundidade, diga-se de passagem, mas criavam argumentos de convencimento, quaisquer que fossem eles. Já Sócrates afirmava que só sabia, que nada sabia, e desenvolveu o método da dialética para despertar nos seus discípulos a arte de raciocinar sobre as coisas, buscando suas verdades que estava no interior de cada um. Tanto que a frase escrita no portal do Templo de Apolo, “conhece-te a ti mesmo”, era sua grande orientação aos que o seguiam.

E o que isso tem a ver com nossa democracia? Parece-me que nossos políticos foram alunos dos sofistas, e não discípulos de Sócrates. O que lhes importa é o convencimento, para isso mudam de comportamento, forma de se expressar, de cores, desdizem suas opiniões anteriores, “fazem o diabo” para alcançar o tão sonhado poder, para assim terem o “privilégio” de ajudarem ao povo brasileiro, principalmente, os mais pobres. Os que já tiveram, ou estão, e não fizeram, dizem que agora vão fazer, os que não tiveram, e são acusados de não ter experiência, dizem que vão fazer também, porém, nenhum  apresenta as respostas que mencionei anteriormente: pretende fazer isso, até tal período, com tais recursos, que virão de tal local, principalmente, pois como é de conhecimento de todos, os recursos estão cada vez mais escassos.

Então, caríssimos, cabe a cada um de nós optarmos pelo melhor, ou pelo menos pior, obedecendo nossas convicções, não paixões, mas convicções mesmo, e que elas sejam racionais. Que não nos deixemos levar pelos atuais sofistas, mas façamos o papel de discípulos de Sócrates, busquemos as verdades dos fatos. Fontes não nos faltam, com qualquer smartphone temos acesso a infinitas informações. Busquemos fontes confiáveis, e, principalmente, antes de compartilhar ou repassar algo, tenhamos a mesma ética que cobramos dos políticos, só assim poderemos ter o mínimo de esperança na transformação de nossa sociedade, não pela ação dos outros, mas começando pela nossa.


* Vale a pena ler as propostas sentados, para não cair com as surpresas de onde menos esperamos, e o mais importante, ter muita atenção a cada uma delas.

Programa de Haddad: http://divulgacandcontas.tse.jus.br/candidaturas/oficial/2018/BR/BR/2022802018/280000629808/proposta_1536702143353.pdf

Programa de Bolsonaro: http://divulgacandcontas.tse.jus.br/candidaturas/oficial/2018/BR/BR/2022802018/280000614517/proposta_1534284632231.pdf

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